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| Chip Ganassi de Zanardi. CART, 1999. |
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| Releitura do Papa Inocêncio X, de Velázquez, 1650. |
Eu gosto muito de pintar com giz pastel oleoso. Não tenho tanto controle sobre o traço, porque a cera se desfaz do jeito que ela quer. Acho que o meu encantamento por essa técnica vem justamente dessa imprecisão. É como se tirassem das minhas costas o peso da forma do objeto. Giz pastel oleoso não obedece rascunho, pouco se importa com os seus planejamentos. Não tem nenhum compromisso com a sua ideia. Aliás, graças ao giz pastel oleoso eu tenho me acostumado a ter ideias durante o desenho, e começar a desenhar de mente completamente vazia. É como um teste de Rorschach, mas é o próprio pintor que faz a mancha.
Em suma, não adianta muito pensar no que vai fazer com o giz pastel antes de começar, porque ele sempre tem uma proposta diferente.
No caso do desenho do carro do Zanardi, como o rascunho realmente pouco importava para o resultado final, imprimi uma foto do carro e copiei a forma usando um pedaço de papel carbono. Pintei por cima do estêncil. Veja como nem aparece, apesar de ser um traço escuro e forte. Pintei primeiro os vermelhos médios, depois os sombreados (azul, roxo escuro, lilás), as partes pretas, cinzas, e finalizei com brilhos de branco e tons mais claros. Comigo funciona essa ordem - médio, escuro, claro.
O branco é muito importante para essa técnica, porque ele aparece no mais alto grau de esplendor. Ele dá uniformidade, realça detalhes, brilhos, contornos, brinca com a luz.
Na releitura do papa de Velázquez, fiz um rascunho já colorido, usando o próprio giz. Onde havia sombreados, usei o marrom, preto; mas também havia as partes claras, amarelos, cinzas, esverdeados. No próprio rascunho eu fiz uma distribuição de cores, sempre tendo ao meu lado a obra-prima de Velázquez.
No final, decidi ver se era fato que óleo de cozinha dilui o giz pastel oleoso. Demora um pouco para, no papel, a cera se desfazer. Precisa tomar cuidado para espaços de cor não se invadirem nesse momento. A tendência é embolar tudo num imenso marrom miscigenado. Ou, com técnica e paciência, o giz se transforma em uma tinta encorpada, um tanto fosca, com excelente manuseabilidade e extensão - e fiquei imaginando o motivo de não ter feito uma arte assim antes.
O óleo de cozinha funcionou muito bem, não deixa cheiro forte nem exige muita limpeza. A secagem também foi rápida, e ainda consegui usar o giz "puro" para dar os últimos retoques.


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